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sexta-feira, 28 de junho de 2013

Carlos Machado: "O Rei da Noite"

Carlos Machado - 1953
Carlos Machado (José Carlos Penafiel Machado), produtor, dançarino e mestre de  cerimônia, nasceu em Porto Alegre, RS, em 16/03/1908, e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 05/01/1992. Nascido em família rica, fez o curso primário em colégio de freiras e o secundário em escola jesuíta. Ficou órfão de mãe com apenas um ano de idade sendo então criado pela avó. Desde cedo começou a levar uma intensa vida boêmia ficando conhecido como o "Machadinho de Porto Alegre".

Acabou involuntariamente participando da Revolução de 1930, quando remava no rio Guaíba e deu-se início ao conflito na cidade de Porto Alegre. Quando passava em frente ao quartel general do exército lá localizado foi chamado pelo tenente João Alberto que o aconselhou a lá se abrigar, o que acabou por transformá-lo em voluntário das forças rebeldes. Por conta disso seguiu para o Rio de Janeiro como amanuense. Na então capital federal passou a se envolver em intensa vida boêmia. Em 1931, ganhou a fortuna de 30 contos de réis na roleta e decidiu então viajar para Paris.

Chegou em Paris em 1932, e inicialmente passou a levar a vida boêmia a que já estava acostumado. Dois anos depois, como era bom dançarino, acabou convidado pelo cubano Orefiche diretor da Lena Cuban Boys a se apresentar dançando rumba. Iniciava-se aí sua carreira de dançarino.

Em 1935, foi contratado para atuar no cassino de Paris dançando num espetáculo do qual participava o cantor francês Maurice Chevalier. Em 1936, foi convidado pela cantora e dançarina Mistinguette, a maior figura do music-hall francês, para atuar com ela no musical Refrains de Paris. No mesmo ano, atuou no filme francês Jeune-Fille d'Occasion.

Em 1938, atuou no espetáculo Féerie de Paris que se constituiu em um grande sucesso. Por essa época além de dançarino passou a ser também diretor de produção da companhia de Mistinguette.

Em 1939, retornou ao Brasil de passagem para Buenos Aires onde se apresentou com a companhia de Mistinguette. Voltou novamente ao Brasil quando descobriu que se encontrava com tuberculose o que interrompeu sua carreira de dançarino. Ainda em 1939, convidou o pianista argentino Roberto Cesari e o pandeirista brasileiro Russo do Pandeiro para formar uma nova orquestra na qual o pianista Roberto Cesari seria o diretor artístico e ele o animador, diretor artístico e relações públicas. Como nunca havia estudado música e nem era, portanto, um maestro, ia aos ensaios no Dancing El Dorado e decorava os arranjos e orquestrações para então "dirigir" o conjunto auxiliado pelo seu ritmo de bailarino.

Em dezembro de 1939, estreou no Tênis Clube de Petrópolis a Orquestra de Carlos Machado e seus Brazilian Serenaders que incluiu entre seus participantes alguns dos mais importantes músicos brasileiros como Russo do Pandeiro, Fafá Lemos, Laurindo de Almeida, Dick Farney, Nicolino Cópia, o Copinha, e outros. Com sua orquestra apresentou-se nos principais cassinos brasileiros da época como o Cassino da Urca, Icaraí e outros. Nesses espetáculos sua orquestra lançou sucessos como Ai, que saudades da Amélia, de Ataulfo Alves e Mário Lago; Atire a primeira pedra, de Ataulfo Alves; Praça Onze, de Herivelto Martins e Grande Otelo; Nega do cabelo duro; O cordão dos puxa-sacos; Maria Candelária, e outros.

Em 1942, foi a primeira orquestra brasileira a tocar o hoje clássico natalino White Christmas. Com sua orquestra, em especial em espetáculos no Cassino da Urca, acompanhou artistas como Grande Otelo, Marlene, Emilinha Borba, Virginia Lane, Loudinha Bittencourt, Linda Batitsa, Dircinha Batista e Heleninha Costa.

Em 1946, com a decretação do fechamento dos cassinos pelo presidente Dutra sua orquestra chegou ao fim. No mesmo ano foi convidado a trabalhar como diretor artístico no Restaurante e Boate da Praia Vermelha. Contratou então o pianista Benê Nunes e a cantora Marlene para lá se apresentarem.

Em 1947, assumiu o cargo de diretor artístico da boate Night and Day situada na Cinelânida, centro do Rio de Janeiro, que marcou época na noite carioca lá tendo se apresentado, entre outros, astros internacionais como Xavier Cugat e sua orquestra; Tommy Dorsey; Carmen Cavalaro; Amália Rodrigues, Josephine Baker; Charles Trenet; Pedro Vargas; Jean Sablon e outros. No ano seguinte, inaugurou a boate Monte Carlo. Com ele trabalharam na Boate Monte Carlo nomes como Jean D'Arco; Chiquinho do Acordeom; Chuca Chuca; Djalma Ferreira; Helena de Lima; Dick Farney e Fafá Lemos.

Em 1953, inaugurou na Praia Vermelha a boate Casablanca, cujo primeiro espetáculo foi Clarins em fá - Uma homenagem do carnaval carioca aos ídolos que o consagraram e dele fizeram parte Linda Batista e Ataulfo Alves e suas pastoras, sendo a direção musical e artística de Britinho e Paulo Soledade. Nesse ano, montou o espetáculo Esta vida é um carnaval que pela primeira vez colocou no palco de uma boate integrantes de uma escola de samba, no caso, passistas da Escola de Samba Império Serrano.

Carlos Machado - 1957
Em 1955, com o fechamento das boates Casablanca e Vogue passou a atuar no Night and Day. No mesmo ano foi escolhido pela Associação Brasileira de Críticos Teatrais como o melhor produtor do ano. No ano seguinte montou um dos maiores espetáculos de sua carreira, Banzo-aiê, título sugerido por Ary Barroso. No mesmo ano, levou mais de trinta artistas brasileiros, entre os quais a cantora Marlene e o cantor Roberto Audi, para apresentações no Knickbocker's Ball no Star-Light do Waldorf Astoria de Nova York.

Em 1958, homenageou o compositor Ary Barroso com o espetáculo Mister Samba que apresentou cerca de 40 composições de Ary Barroso, entre as quais É luxo só, feita especialmente para aquele espetáculo, do qual participaram o meaestro Guio de Moraes, Jean D'Arco, Elizeth Cardoso, Aurora Miranda e Grande Otelo.

Em 1960, montou no Night and Day o espetáculo Festival escrito especialmente para a atriz Bibi Ferreira. No mesmo ano, estreou na famosa casa de espetáculos de Nova York Radio City Music Hall, o espetáculo Brasil,  que contou com as presenças de Russo do Pandeiro, Conjunto Farroupilha e Nelson Gonçalves. No ano seguinte, adquiriu a boate Fred's e no mesmo ano lá montou o espetáculo Rio Boa-Pinta escrito por Luiz Peixoto e Chianca de Garcia, e cujos nomes principais foram Grande Otelo e Elza Soares.

Em 1963, na mesma boate montou o espetáculo Chica da Silva 63. No mesmo ano, apresentou no Goldem Room do Copacabana Palace aquele que seria um de seus maiores espetáculos, O teu cabelo não nega, uma homenagem ao compositor Lamartine Babo. Em 1964, apresentou no México os espetáculos Samba, carnaval y mujer e Rio, ciudad Maravillosa, que foram apresentados nas boates Señorial, Teatro Blanquita, Teatro Playa de Hornos e na televisão mexicana.

Em homenagem ao quarto centenário de fundação da cidade do Rio de Janeiro apresentou, em 1965, o show Rio de 400 janeiros com arranjos e regência do maestro Lindolpho Gaya. A trilha sonora desse show foi lançada em LP pelo selo Elenco.

Em 1966, montou aquele que seria o maior sucesso da boate Fred's, o espetáculo As Pussy Pussy Cats, no qual o conjunto Os Originais do Samba lançou o Samba do crioulo doido, de Sérgio Porto. Pouco depois lá foi apresentado o espetáculo Otelo é grande uma homenagem ao ator Grande Otelo.

Após alguns anos afastado dos espetáculos, voltou em 1973, e montou aquele que seria um des seus shows de maior sucesso, Hip! Hip! Rio!, que bateu todos os records de público na boate Night and Day sendo assistido por mais de 26 mil pessoas num local que tinha capacidade para apenas 250 assistentes.

Em 1976, produziu e dirigiu aquele que seria seu último grande espetáculo, o show O Rio amanheceu cantando, uma homenagem ao compositor Carlos Alberto Ferreira Braga o Braguinha, e dele particparam Elizeth Cardoso, MPB 4, Quarteto erm Cy e o cantor Sidney Magal, lançado nesse espetáculo.

Em 1978, lançou seu livro de memórias Carlos Machado apresenta - Memórias sem maquiagem. Por seus inúmeros shows, sempre de grande sucesso ficou conhecido como "O Rei da Noite". Faleceu em 1992, com 84 anos de idade.

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Fontes: Dicionário Cravo Albin da MPB; Museu da TV; Revista do Rádio.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Walter Pinto

Walter Pinto
Walter Pinto, produtor e autor de teatro de revista, nasceu mo Rio de Janeiro em 1913, e faleceu na mesma cidade, em 21 de abril de 1994. Produtor dos maiores espetáculos de teatro de revista brasileiro, é responsável pela reformulação do gênero, nos anos 40 e 50.

Walter formou-se em Contabilidade e Ciências Econômicas, mas acabou dedicando-se à Companhia de Teatro Pinto, fundada por seu pai, dirigindo-a depois da morte de seu irmão Álvaro, ainda na década de 40.

Dá início à Companhia Walter Pinto, que veio a se tornar a maior delas no teatro musicado, encenando Revistas e revelando uma geração de atores, músicos e compositores, dentre os quais se podem listar: Dercy Gonçalves, Carmem Miranda, Assis Valente, etc.

A Companhia Walter Pinto estréia com É Disso que Eu Gosto, de Miguel Orrico, Oscarito Brennier e Vicente Marchelli, 1940, título extraído da música que Carmem Miranda cantava, à frente do elenco, com Oscarito e Margot Louro.

Durante toda a década de 40, os espetáculos são quase que exclusivamente dirigidos por Otávio Rangel. O produtor tira a ênfase do autor e dos primeiros atores para valorizar a espetacularidade da cena: escadas, luzes, grandes coreografias, efeitos de maquinaria, coros numerosos e grande orquestra garantem o sucesso dos espetáculos que se sucedem. Contrata coristas argentinas, francesas e até russas que atuam principalmente nas partes musicais, para as quais mantém um grupo de bailarinas. Durante a guerra, ensaia quadros patrióticos.

Os títulos anunciam a jocosidade e mesmo a falta de história dos espetáculos: Assim... Até Eu, de Olavo de Barros e Saint-Clair Senna, Os Quindins de Yayá, de J. Maia e Walter Pinto, A Cabrocha Não É Sopa, de Freire Jr., todos de 1941; Passo de Ganso, de Freire Jr., de 1942; Rei Momo na Guerra, de Freire Jr. e Assis Valente, Comendo as Claras, de Paulo Orlando e Walter Pinto, de 1943; Tico-Tico no Fubá, de Alfredo Breda e Walter Pinto, Momo na Fila, de Geysa Bôscoli e Luiz Peixoto, de 1944; Bonde da Laite, de Geysa Bôscoli e Luiz Peixoto, Canta Brasil, de Luiz Peixoto, Geysa Bôscoli e Paulo Orlando, Rabo de Foguete, de Luiz Peixoto, Saint-Clair Senna e Walter Pinto, de 1945; Carnaval da Vitória, de Luiz Peixoto, Saint-Clair Senna e Walter Pinto, Não Sou de Briga, de Freire Jr. e Walter Pinto, Nem Te Ligo..., de Freire Jr. e Walter Pinto; Quê que Há com Teu Piru?, de Freire Jr., Saint-Clair Senna, Fernando Costa e Walter Pinto, 1946; Não Chacoalha!, de Freire Jr. e Walter Pinto, 1947; Tem Gato na Tuba, de Freire Jr. e Walter Pinto, 1948; Vamos pra Cabeça!, de Freire Jr. e Humberto Cunha; Está com Tudo e Não Está Prosa, de Freire Jr. e Walter Pinto, 1949. No elenco, Virginia Lane e Dercy Gonçalves eram as atrizes assíduas.

O tema do carnaval, pela óbvia semelhança do descompromisso, da musicalidade e do apelo ao corpo, é recorrente. Técnica e artisticamente, os espetáculos da Companhia Walter Pinto atingem, como se dizia em seu tempo, nível internacional.

O cronista Carlos Machado cita o ator francês Paul Nivoix, sobre Trem da Central, de Freire Jr. e Walter Pinto, 1948: "Nunca imaginei que no Brasil houvesse um produtor de tal força para extasiar o público. O que acabo de ver em Trem da Central é digno de ser mostrado em qualquer parte do mundo sem receio de ser superado".

Na década de 50, o produtor recebe durante quatro anos, três deles seguidos, o prêmio da Associação Brasileira de Críticos Teatrais, ABCT, de melhor produtor de teatro musicado, categoria criada em conseqüência de seu trabalho e muito provavelmente a ele dedicada.

Na mesma coluna, Carlos Machado publica: "O êxito de Walter Pinto é devido, sobretudo, a ele mesmo. Podem figurar nos letreiros luminosos os nomes de Oscarito, Virginia Lane, Grande Otelo ou Mara Rubia, as maiores atrações nacionais. De um momento para outro, esses grandes nomes (...) são obrigados a sair do palco das revistas de Walter Pinto. Saem mas não fazem falta. O êxito é o mesmo... A explicação é óbvia: Walter Pinto apresenta uma revista em conjunto, e é o conjunto que se firma. Sua maior vitória está neste detalhe".

Nos anos 60, o produtor passa a assinar também a direção e o texto dos espetáculo

Fontes: Wikipédia - Enciclopédia virtual; Enciclopédia Itaú Cultural - Teatro.